Nelson Couto psiquiatra Voltar ao site

Perturbação depressiva e ansiedade

Antidepressivos: as perguntas mais frequentes

Começar a tomar um antidepressivo levanta muitas dúvidas. Se vai fazer efeito, se vai mudar quem é, se vai conseguir parar. Esta página responde às perguntas que mais ouço em consulta.

Para quem é esta página

Para quem toma, ou vai começar a tomar, medicamentos como o escitalopram (Cipralex), a sertralina (Zoloft), a fluoxetina (Prozac), a paroxetina (Seroxat), a venlafaxina (Efexor), a duloxetina (Cymbalta), a vortioxetina (Brintellix), a bupropiona (Wellbutrin), a mirtazapina (Remeron) ou a trazodona (Triticum).

Apesar do nome, os antidepressivos não servem só para a depressão. São também o tratamento de primeira linha da perturbação de pânico, da ansiedade generalizada e da perturbação obsessivo-compulsiva. Em Portugal, são dos medicamentos mais receitados.

Quanto tempo demoram a fazer efeito?

Não atuam de imediato. As primeiras melhorias costumam surgir ao fim de 2 a 4 semanas, muitas vezes primeiro no sono, no apetite e na energia. O efeito completo pode levar 6 a 8 semanas, ou mais.

É normal os efeitos secundários aparecerem antes das melhorias. Por isso, as primeiras semanas são as mais difíceis e é quando mais pessoas desistem. Se conseguir manter o tratamento nessa fase, a probabilidade de beneficiar é muito maior.

Que efeitos secundários podem dar?

A maioria é ligeira e passa ao fim de 1 a 2 semanas:

Outros podem manter-se e merecem ser falados em consulta, porque quase sempre há solução:

Atenção. Em jovens até aos 25 anos, no início do tratamento ou depois de uma mudança de dose, pode haver um aumento de pensamentos de morte ou de suicídio. Se isso acontecer, contacte o seu médico de imediato ou ligue 112.

Os antidepressivos viciam?

Não da forma que as pessoas receiam. Não dão vontade de tomar mais, não perdem o efeito com o tempo e não obrigam a aumentar a dose, ao contrário das benzodiazepinas (saiba mais sobre as benzodiazepinas).

Mas o organismo habitua-se a eles. Se forem parados de repente, podem surgir sintomas de descontinuação: tonturas, sensação de “choques elétricos” na cabeça, irritabilidade, insónia, sonhos intensos ou mal-estar parecido com uma gripe. Acontece mais com a paroxetina e a venlafaxina. Por isso, a paragem deve ser sempre gradual.

Vão mudar a minha personalidade?

Não. Quando funcionam, o que as pessoas descrevem é voltar a sentir-se como eram antes de adoecer. Se sentir que está diferente de si próprio(a), mais apático(a) ou indiferente, diga ao seu médico, porque normalmente é sinal de que a dose ou o medicamento precisam de ajuste.

Quanto tempo tenho de os tomar?

Depende da situação, mas como regra:

Sentir-se bem não é sinal de que já não precisa do medicamento. Muitas vezes é sinal de que está a funcionar.

Como se param?

Com a ajuda do médico, reduzindo a dose aos poucos, ao longo de semanas ou meses. O ritmo depende do medicamento, da dose e do tempo de tratamento. Escolher bem o momento também conta: uma fase de mais estabilidade na vida é melhor do que um período de grande pressão.

Durante a redução, um dos trabalhos do acompanhamento é distinguir sintomas de descontinuação, que surgem poucos dias depois de baixar a dose e passam, de um regresso da depressão ou da ansiedade, que aparece mais devagar e se mantém.

Não pare nem altere a dose por conta própria com base nesta página.

E se não resultar?

Cerca de um terço das pessoas não responde bem ao primeiro antidepressivo. Isso não quer dizer que nenhum vá resultar. Há várias opções: ajustar a dose, mudar para outro medicamento, associar um segundo fármaco ou reforçar a psicoterapia. Encontrar o tratamento certo é, por vezes, um processo de alguns passos.

Outras dúvidas frequentes

Posso beber álcool?

É preferível evitar. O álcool agrava a depressão e a ansiedade, interfere com o sono e pode aumentar a sonolência causada por alguns antidepressivos.

Posso conduzir?

Na maioria dos casos, sim. Nas primeiras semanas, ou se sentir sonolência, evite conduzir até perceber como o medicamento o(a) afeta.

E se engravidar ou quiser engravidar?

Não pare o medicamento de repente. Fale com o seu médico. Muitos antidepressivos podem ser mantidos na gravidez, e parar bruscamente também tem riscos para a mãe e para o bebé.

E a psicoterapia?

Na depressão ligeira, a psicoterapia pode ser suficiente. Na depressão moderada a grave e nas perturbações de ansiedade, a combinação de medicação e psicoterapia é, em geral, o que dá melhores resultados.

Como posso ajudar

Sou médico psiquiatra e acompanho pessoas com perturbação depressiva e perturbações de ansiedade, desde o início do tratamento até à fase de redução e paragem. Faço-o em teleconsulta, em todo o país e para portugueses noutros países da União Europeia.

Na primeira consulta avaliamos a sua situação e a medicação que já tomou. Se precisar de iniciar, ajustar ou parar um antidepressivo, sai com um plano claro. As consultas seguintes acompanham a resposta ao tratamento.

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Este texto é informativo e não substitui uma avaliação médica. Em situação de risco imediato, ligue 112 ou contacte o SNS 24 (808 24 24 24).