Nelson Couto psiquiatra Voltar ao site

Redução de benzodiazepinas

Como deixar as benzodiazepinas com segurança

Se toma um calmante ou um comprimido para dormir há vários meses ou anos e gostaria de reduzir ou parar, é possível fazê-lo com segurança. O segredo é não ter pressa e não fazer o caminho sozinho.

Para quem é esta página

Para quem toma, de forma diária ou quase diária, medicamentos como o alprazolam (Xanax), o lorazepam (Lorenin), o loflazepato de etilo (Victan), o bromazepam (Bromalex), o clorazepato (Medipax), o diazepam (Valium) ou comprimidos para dormir como o zolpidem (Stilnox). Estes medicamentos pertencem ao grupo das benzodiazepinas ou dos fármacos com ação semelhante.

Portugal está entre os países do mundo onde estes medicamentos são mais consumidos. Muitas pessoas começaram a tomá-los numa fase difícil e continuaram durante anos, sem que alguém lhes propusesse parar.

Porque é que deixam de resultar

As benzodiazepinas aliviam a ansiedade e ajudam a dormir de forma rápida. Por isso são úteis em situações agudas e por pouco tempo. A Direção-Geral da Saúde recomenda, em regra, até 4 semanas na insónia e até 8 a 12 semanas na ansiedade.

Com o uso continuado, o cérebro habitua-se. A mesma dose passa a fazer menos efeito. É a tolerância. Ao mesmo tempo, o organismo passa a depender do medicamento para se manter estável. Muitas pessoas sentem que, ao fim de algum tempo, o comprimido já não as ajuda, mas que também não conseguem passar sem ele.

Os riscos do uso prolongado

Nunca pare de repente

Se toma uma benzodiazepina há mais de algumas semanas, não a pare de um dia para o outro. A interrupção brusca pode causar sintomas de abstinência intensos e, em casos raros, convulsões, que podem ser graves. O alprazolam e o lorazepam são dos que mais causam este problema.

Se já parou de repente e se está a sentir mal, fale com o seu médico com urgência ou dirija-se a um serviço de urgência.

Como funciona a redução

A forma segura de deixar estes medicamentos é reduzir a dose aos poucos, ao longo de meses. A maioria das pessoas precisa de pelo menos 10 semanas. Quem os toma há muitos anos pode precisar de bastante mais tempo, e isso não é um fracasso.

Não tente reduzir sozinho(a) com base nesta página. Cada plano tem de ser definido com o seu médico.

O que pode sentir pelo caminho

Durante a redução é comum sentir, durante alguns dias depois de cada passo:

Estes sintomas não querem dizer que precisa do medicamento nem que não vai conseguir. Querem dizer que o seu organismo está a reajustar-se e que, provavelmente, o ritmo tem de ser mais lento. Nesse caso, mantém-se a dose até os sintomas passarem e só depois se avança, com passos mais pequenos.

Alguns destes sintomas parecem a ansiedade de antes. Distinguir uma coisa da outra faz parte do acompanhamento.

Como posso ajudar

Sou médico psiquiatra e acompanho doentes na redução de benzodiazepinas e já dei formação a equipas de cuidados de saúde primários sobre o tema. Acompanho este processo em teleconsulta, em todo o país e para portugueses noutros países da União Europeia.

Na primeira consulta revemos a medicação que toma, a história do seu uso e o que espera do processo. Se fizer sentido para si, saímos com um plano escrito. As consultas seguintes acompanham cada fase.

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Este texto é informativo e não substitui uma avaliação médica. Em situação de risco imediato, ligue 112.